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16/set/2021

Iniciativa global para aumentar sobrevida do câncer infantil

Foto de um ursinho de pelúcia deitado em uma cama de hospital

Levantamento sobre a oncologia pediátrica no Brasil, realizado pelo Instituto Desiderata, com dados até 2019, aponta que a taxa de morte por câncer infantojuvenil no País é duas vezes maior do que nos Estados Unidos.

Isso ocorre devido à falta de diagnóstico precoce e à dificuldade de acesso a tratamento especializado. Desde o ano 2000, o País apresenta 43,4 mortes por milhão, com disparidades regionais e de raça/cor. Nos EUA, a média é de 22 mortes por milhão.

Na conta por estados, Bahia, Minas Gerais e São Paulo têm taxas próximas a 40 óbitos por milhão, enquanto Piauí, Roraima e Amapá chegam a 60 por milhão. Na região Sudeste, há serviços oncológicos que proporcionam sobrevida compatível a de países desenvolvidos (80% ou mais). Porém, nas regiões Centro-Oeste e Norte está abaixo de 50%.

Com relação à etnia, entre crianças e adolescentes indígenas a taxa de mortes é 58% acima da média nacional (67,7 por milhão).

Iniciativa global

O documento foi lançado, em agosto de 2021, em um fórum oncológico, e faz parte de uma série de ações que compõem uma iniciativa global da Organização Mundial da Saúde (OMS), cujo objetivo é diminuir as disparidades regionais e aumentar as chances de sobrevida.

A meta é atingir 60% de sobrevivência até 2030. O Brasil, por meio do Ministério da Saúde, designou uma equipe para acompanhar a articulação da iniciativa, mas, até o momento, não assinou o compromisso. No País, a doença é a principal causa de morte entre zero e 19 anos, com 8.500 novos casos anuais, sendo a maior taxa entre os adolescentes (51,1/milhão), seguida de crianças de 0 a 4 anos (46,9/ milhão). De 5 a 9 anos e 10 a 14, os valores são 37,9 e 37,1 por milhão, respectivamente.

O diagnóstico correto dos tumores é um outro problema no País, 8% deles foram classificados como neoplasias não especificadas, o que dificulta o tratamento. Nos Estados Unidos, esse índice é inferior a 1%.

Dentre as ações destacadas pela iniciativa global da OMS estão: capacitação da atenção primária para reconhecer sinais da doença e encaminhar o paciente rapidamente para confirmar o diagnóstico; acesso a centros de tratamento de excelência e terapias necessárias; concessão de benefícios sociais para que não haja abandono do tratamento. Isso porque muitas crianças precisam se tratar fora de suas cidades, obrigando pai ou mãe a abrir mão do emprego ou do resto da família, ficando sem condições para sobreviver economicamente longe de casa.

Segundo a diretora-executiva do Desiderata, Roberta Costa Marques, todo o movimento busca melhorar a eficiência e a organização dos serviços oncológicos, especialmente os públicos, porque há vários problemas relacionados à assistência adequada. De acordo com ela, 43% dos pacientes entre 15 e 19 anos foram tratados em hospitais sem habilitação em oncologia pediátrica, enquanto as orientações nacionais e internacionais indicam o tratamento em centros especializados para esse público.

Comércio

Além disso, há desabastecimento no País de quimioterápicos fundamentais para combater tumores pediátricos, por serem muito baratos, não despertando mais o interesse das farmacêuticas e impactando diretamente as estratégias de tratamento do câncer infantojuvenil, que são distintas da doença em adultos.